Firmar parcerias institucionais é estratégia da Fiocruz para avançar no campo da saúde e ambiente

Por Bruna Cruz

18/05/15 | 10:05

 

As estratégias de cooperação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para a área de saúde e ambiente foram discutidas com os participantes da Jornada Nacional de Saúde e Ambiente, realizada em Fortaleza (CE), de 11 a 15 de maio. O vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fundação (VPAAPS), Valcler Rangel, foi o responsável por apresentar alguns dos parceiros e iniciativas que vêm sendo realizadas. De acordo com o planejamento estratégico da instituição para 2022, parcerias intra e interinstitucionais são fundamentais para que ela cumpra seu papel de promotora da saúde, do desenvolvimento social e de geração e difusão de conhecimento científico e tecnológico.

Um dos exemplos citados foi o Portal IdeaSus, um Banco de Práticas e Soluções em Saúde e Ambiente (IdeiaSUS), desenvolvido por meio da cooperação técnica entre a Fiocruz, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS), no âmbito da Rede de Apoio à Gestão Estratégica do SUS.

Para Rangel, há a necessidade de olhar para a saúde como valor universal a partir dos determinantes e das iniquidades sociais. “A sociedade nos pressiona por novas formas de ação coletiva. Há a exigência de uma nova velocidade na produção de respostas aos problemas cotidianos”, comentou. Para ele, a prospecção dessas demandas deve passar por uma rede de cooperação nacional que coloca a Fiocruz para dialogar e oferece ferramentas para a elaboração de soluções, de políticas e posterior incorporação ao sistema de saúde.

Segundo Patrícia Tavares Ribeiro, coordenadora do Centro de Estudos, Políticas e Informação sobre os Determinantes Sociais em Saúde (CEPI-DSS) da Fiocruz, que participou da discussão do tema, enfrentar a agenda de cooperação da área da saúde e ambiente, tão abrangente, é difícil, principalmente porque há sempre uma grande expectativa em relação à participação da Fiocruz em projetos e ações. Para ela, atualmente, além do escopo das parcerias e do papel dos envolvidos terem que ser bem definidos, é preciso ter em vista que não é mais possível para a instituição chegar como produtora exclusiva do conhecimento. “Os gestores do SUS e os movimentos sociais hoje não se identificam com o lugar de receptores: se colocam dispostos a colaborar e a construir soluções conjuntas nas diferentes esferas de atuação do setor Saúde. Assim, as parcerias hoje são realizadas entre iguais, respeitando o conhecimento de cada ator, e requerem marcações bem definidas das diferenças e dos papeis de cada um. As múltiplas demandas exigem que saibamos lidar com a capacidade de circunscrever melhor os projetos e ao mesmo tempo, realizá-los com maior de capilaridade”, ressaltou. Patrícia afirmou, ainda, que os problemas atualmente são cada vez mais complexos e exigem políticas nacionais com abordagens territoriais.

Tanto o Vice-Presidente quanto a pesquisadora enfatizaram a estratégia da Fiocruz de ampliar as respostas que pode dar à sociedade por meio de investimento maior na colaboração interna e na valorização das ações realizadas pelas unidades regionais. Hoje, além da sede no Rio de Janeiro, onde possui dez unidades técnico-científicas e de produção de insumos para a o SUS, a fundação conta com centros de pesquisa e ensino em Pernambuco, na Bahia, no Amazonas, em Minas Gerais e no Paraná, além de escritórios no Ceará, Mato Grosso, Piauí, Rondônia e na África.

Bruna Cruz

Bruna Cruz é jornalista e mestre em Saúde Pública

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