Série de reportagens e documentário sobre o combate à AIDS no Amazonas são lançados em Manaus

Por Jorge Salhani, com informações do UNAIDS

11/05/17 | 12:05

O Fundo de População das Nações Unidas participou na última sexta-feira (5) da cerimônia de lançamento de webdocumentário e série de reportagens “AMAZONAIDS: Na fronteira de uma epidemia” realizada na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, em Manaus. O produto é resultado da parceria entre o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) e a rede de produção jornalística Eder Content e contou com o apoio do UNFPA.

O conteúdo resgata o trabalho da ONU no combate à epidemia de AIDS no Amazonas (Plano Integrado AMAZONAIDS), especialmente nas cidades de Tabatinga, Atalaia do Norte e Benjamin Constant, na região do Alto Solimões.

O representante do UNFPA, Jaime Nadal, ressaltou, durante o evento, a importância de se investir na região Norte do Brasil, onde a promoção e atenção em saúde sexual e reprodutiva e a prevenção do HIV/AIDS e outras IST ainda são grandes desafios: “há escassez de informações, dificuldade no acesso aos serviços, que são poucos e, muitas vezes, distantes, e as ações nem sempre estão adaptadas às necessidades locais. É preciso uma ação coordenada”.

Nadal chamou atenção para os dados do Amazonas em relação à AIDS: desde 2006, os índices de pessoas infectadas pelo HIV no Estado ultrapassam a média nacional. Os números cresceram substancialmente entre jovens de 15 e 24 anos, homens que fazem sexo com homens e gestantes.

Segundo o Boletim Epidemiológico de HIV e AIDS do Ministério da Saúde, o Amazonas registrou, em 2015, uma taxa de casos de AIDS de 31,2 por 100 mil habitantes. O Estado ficou atrás apenas do Rio Grande do Sul (34,7) e de Santa Catarina (31,9).

A diferença é que, enquanto a tendência do número de casos nos dois estados da região Sul é de queda, no Amazonas a situação a inversa: há um crescimento de 50% entre 2006 e 2015. O coeficiente de mortalidade por complicações relacionadas à AIDS aumentou em 45%.

Os dados, para Georgiana Braga-Orillard, diretora do UNAIDS no Brasil, evidenciam que ainda há vários desafios a serem superados na região para que os serviços de prevenção, testagem e tratamento alcancem todas as pessoas. “Muitas pessoas deixam de fazer o teste ou o tratamento antirretroviral em suas comunidades por medo do preconceito. Por isso, ainda vemos índices altos de novas infecções e, infelizmente, muitos casos de mortes relacionadas à AIDS”, acrescentou.

A parceria entre o UNAIDS e a Eder Content resultou ainda em um webdocumentário de 20 minutos que apresenta, além de uma contextualização sobre o AMAZONAIDS, a história de Maria Paula, mulher trans peruana que cruzou a fronteira para buscar tratamento atirretroviral em Tabatinga.

Brasil contra a AIDS

O Brasil foi o primeiro país em desenvolvimento a oferecer acesso universal e gratuito ao tratamento contra HIV/AIDS. O sucesso das ações de estabilização da taxa de detecção do HIV e a diminuição de mortalidade por AIDS no período, no entanto, não foram suficientes para cobrir a lacuna da epidemia em algumas localidades e entre algumas populações-chave do país.

Os desafios dos programas na região do Alto Solimões, no Amazonas, são particularmente desafiadores devido a alguns obstáculos logísticos que a região oferece. Além disso, o estigma e o preconceito em torno da população LGBTI, de profissionais do sexo e de mulheres, somados à imensa diversidade cultural de seus povos e aos desafios de uma região de tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia (como a alta criminalidade e o narcotráfico), tornam ainda mais difícil a realização de um programa dessa envergadura.

 

 

Fonte: Salhani J. Série de reportagens e documentário sobre o combate à AIDS no Amazonas são lançados em Manaus. UNFPA Brasil: Brasília; 2017 Maio 09. [acesso em 11 maio 2017]. Disponível em: http://www.unfpa.org.br/novo/index.php/noticias/ultimas/1547-serie-de-reportagens-e-documentario-sobre-o-combate-a-aids-no-amazonas-sao-lancados-em-manaus

 

Jorge Salhani, com informações do UNAIDS

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