Aula inaugural debate o papel da ciência no enfrentamento das desigualdades sociais

Por Informe ENSP

03/03/20 | 12:03

É possível avançar numa agenda nacional de desenvolvimento, fortemente ancorada em ciência, num contexto de cortes financeiros, interrupção de pesquisas, queda do número de bolsas de pesquisa e saída de cientistas para o exterior? Quais devem ser as estratégias para enfrentar e reduzir as desigualdades e iniquidades sociais em saúde? Pensando em reforçar o papel da ciência como fator importante na busca de um mundo mais equitativo e no compromisso para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, da ONU, a ENSP realizará, no dia 4 de março, às 13h30, a aula inaugural “Os desafios atuais da ciência brasileira no enfrentamento das desigualdades e iniquidades sociais”. O evento, aberto ao público, terá transmissão, ao vivo, pelo Canal da ENSP no Youtube.

A aula discutirá a relação entre ciência e sociedade, e seu papel no enfrentamento de problemas, tais como: pobreza, preconceito, degradação ambiental, precariedade das condições de saúde pública, abastecimento de água, dentre outros.

Para enriquecer o debate, a ENSP receberá os palestrantes Deisy de Freitas Lima Ventura, professora de Ética da Faculdade de Saúde Pública, da Universidade de São Paulo (USP); Paulo de Martino Jannuzzi, professor do Programa de Pós-Graduação em População, Território e Estatísticas Públicas, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – Ence/IBGE; e Humberto Adami Santos Júnior, presidente da Comissão Nacional da Verdade da Escravidão Negra do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil.

A atividade será mediada pela vice-diretora de Ensino da ENSP, Lúcia Dupret. Para ela, o debate se pautará na perspectiva de contribuir para uma visão crítica sobre essa conjuntura adversa e a práxis de resistência em defesa dos princípios e valores de cidadania plena. “A ciência e o conhecimento cientifico vêm sendo desqualificados de forma direta e indireta. Queremos alertar a todos que a ciência pode, e deve, ser uma grande aliada no enfrentamento das desigualdades, pois cria fatores e evidências que podem auxiliar e justificar ações e políticas para a população”.

O diretor Hermano Castro reforça que o tema coloca em pauta enfrentamentos antigos, como a agenda atrasada do saneamento no país, e as novas emergências em saúde, por exemplo, os grandes desastres decorrentes das mineradoras e epidemias como o coronavírus. “O Brasil tem um sistema de saúde que, apesar da ausência de investimentos, está preparado para responder às demandas da população. Na base do conceito ampliado de saúde, estão os enfrentamentos das grandes desigualdades que o país vive. Esperamos discutir e aprofundar todas as questões que envolvem o fortalecimento do SUS”.

 

Confira o currículo dos palestrantes

 

Deisy de Freitas Lima Ventura

Graduada em Direito e mestre em Integração Latino-americana pela Universidade Federal de Santa Maria; doutora em Direito Internacional e mestre em Direito Comunitário e Europeu pela Universidade de Paris 1, Panthéon-Sorbonne. É professora Titular de Ética da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP), onde atua como chefe do Departamento de Saúde Ambiental e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Saúde Global e Sustentabilidade. É também professora do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da USP, onde obteve sua Livre-Docência em Direito Internacional (2012) e lecionou de 2008 a 2018. Atualmente, é presidente da Associação Brasileira de Relações Internacionais – ABRI (2019-2021), instituição em que fez parte da Diretoria de 2013 e 2017, e editora-executiva da Revista Saúde e Sociedade, além de membro do Núcleo de Pesquisa em Direito Sanitário (NAP-Disa) da Faculdade de Saúde Pública da USP. É membro da Comissão sobre fragmentação da Saúde Global da Revista The Lancet.

De 2003 a 2006, em Montevidéu, exerceu o cargo de consultora jurídica da Secretaria do Mercosul. Professora adjunta e Pró-Reitora de Assuntos Estudantis da Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, Deisy Ventura publicou 15 livros que abordam conteúdos internacionais e de educação jurídica. Seus temas atuais de pesquisa se pautam na Ética da Saúde Global; a permeabilidade entre as dimensões nacional e internacional da regulação, particularmente no campo da saúde global e da mobilidade humana internacional; e o emprego da arte na formação superior.

Paulo de Martino Jannuzzi

Graduado em Matemática Aplicada e Computacional pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é mestre em Administração Pública pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas e doutor em Demografia pela Unicamp. Professor do Programa de Pós-Graduação em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE), é pesquisador PQ/CNPq no projeto Políticas Públicas, Mudança Social e Dinâmica Demográfica no Brasil pós-1988, além de professor do curso de Gestão da Avaliação da Faculdade Cesgranrio. Exerce o cargo de membro do Painel de Especialistas em Avaliação do International Evaluation Office do Programa das Nações Unidas em Nova York e atua como colaborador da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da FGV.  É autor dos livros Indicadores Sociais do Brasil (Alinea, 2017,6a.ed), Monitoramento e Avaliação de Programas Sociais (Alinea, 2016) e Migração e Mobilidade Social.

Humberto Adami Santos Júnior

Graduado em Direito pela Universidade de Brasília, possui mestrado em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. É advogado especialista em ações de enfrentamento ao racismo perante o Supremo Tribunal Federal; presidente da Comissão Nacional da Verdade da Escravidão Negra do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil e presidente da Comissão Estadual da Verdade da Escravidão Negra da Seccional da Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro.  É presidente da Comissão da Igualdade Racial do Instituto dos Advogados Brasileiros. Exerceu o cargo de vice-presidente da Comissão Nacional da Igualdade Racial, do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil e membro da Comissão Nacional de Direito Ambiental do Conselho Federal da OAB. De agosto de 2009 a Fevereiro de 2011, atuou como ouvidor geral da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir). Acumula experiência na área do Direito Civil; Trabalhista, Direito Ambiental, destacando seu conhecimento sobre a responsabilidade ambiental e das relações raciais, discriminação racial no mercado de trabalho e racismo institucional. Ex-presidente da Associação Brasileira de Advogados Ambientalistas (ABAA) e ex-presidente do Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara), onde, atualmente, exerce o cargo de diretor jurídico. Moveu representações ao Ministério Público Federal e dos estados para apuração de desigualdade racial nas Forças Armadas. Na Comissão Nacional de Erradicação de Trabalho Escravo (Conatrae), do Ministério dos Direitos Humanos, foi nomeado representante do Conselho Federal da OAB.

 

Fonte: Aula inaugural debate o papel da ciência no enfrentamento das desigualdades sociais. Rio de Janeiro: Informe Ensp; 20 Fev 2020. [acesso em 03 mar 2020]. Disponível em: http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/informe/site/materia/detalhe/48197

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