Entrevista: A importância de se imunizar contra influenza em tempos de coronavírus

Por Informe Ensp

08/04/20 | 15:04

A pediatra Elvira Alonso, da Assessoria Clínica de Bio-Manguinhos/Fiocruz, esclarece dúvidas sobre a imunização contra gripe e defende a importância da vacinação em meio à pandemia do novo coronavírus. Confira a entrevista feita pela assessoria de comunicação de Bio-Manguinhos.

Começou a Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe, que vai até o dia 16 de abril. O objetivo da primeira etapa é imunizar os idosos e os profissionais de saúde. No entanto, a população se pergunta: como receber a vacina contra a influenza pode ajudar durante a pandemia do Covid-19?

Antes de mais nada, é importante deixar claro que, durante uma pandemia de uma doença respiratória, é importante que o público-alvo da campanha busque a sua dose. Não que ela imunize contra o novo coronavírus, mas porque, ao proteger a população da influenza, menos gente necessitará utilizar recursos hospitalares, o que ajuda o sistema de saúde a reservar esforços para o Sars-Cov-2.

No meio da pandemia de coronavírus, por que é importante se vacinar contra influenza? 

Elvira Alonso: Estamos entrando num período que, normalmente, temos mais acometimento de infecção por influenza e é muito importante a diferenciação da infecção do coronavírus. Quando somos vacinados, diminuímos a procura por atendimento nas unidades de saúde. Fica mais fácil fazer um diagnóstico diferencial, já que os dois vírus têm sintomas em comum.

Quais são os públicos prioritários para esta vacina? Por quê? Esse público é o mesmo que está mais suscetível ao coronavírus? 

Elvira Alonso: O primeiro foco será o público mais suscetível que são os idosos com mais de 60 anos (população com risco também de adoecer pelo coronavírus, além da influenza) e profissionais da área de saúde. O que estamos vendo mundialmente é que essa população é a mais atingida. A vacinação iniciou no dia 23 para o público mencionado acima e no dia 16 de abril vai abranger também doentes crônicos, professores e profissionais da área de segurança.  Somente após 9 de maio que iniciará para crianças de 6 meses a 6 anos, grávidas, mães no pós-parto, população indígena, pessoas com 55 anos ou mais e pessoas com deficiência.

Ficar gripado após a vacina de gripe é mito?  

Elvira Alonso: Não há risco de adquirir gripe por meio da vacina já que ela é composta por vírus inativado (vírus mortos e fracionados). O que pode acontecer são os efeitos colaterais. Os mais comuns são: dor local, febre baixa e mal-estar nas primeiras 48 horas após a vacinação. Caso a pessoa tenha gripe após a vacinação, ela pode ter se contaminado antes da vacina e estar com o vírus da gripe incubado, ou ter entrado em contato com o vírus antes de produzir defesa (após a vacinação). Pode ainda, em raríssimos casos, ter falha vacinal, quando a pessoa não produziu anticorpos.

 

*Foto Elvira Alonso: reprodução redes sociais de Bio-Manguinhos

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