Série sobre agrotóxicos (4): Nutrição e agrotóxicos. O que levamos para nossa mesa?

Entrevista com Denise Barros, concedida à Jaqueline Pimentel

17/10/14 | 13:10

Denise Barros/ Foto: Informe ENSP

Denise Barros/ Foto: Informe ENSP

1. Como os resíduos químicos nos alimentos podem afetar a saúde humana? 

Eles podem afetar de imediato, intoxicando o organismo e causando náuseas, vômitos, dores de cabeça. Os resíduos químicos não são eliminados pelo nosso organismo e vão se acumulando lentamente ao longo da vida do indivíduo, dependendo da quantidade e frequência do consumo de alimentos ou se estes são mais ou menos contaminados, levando a doenças degenerativas como câncer, demência, dificuldades respiratórias entre outras.

 

2. Você acredita que a produção mais familiar na agricultura colaboraria para um maior nível de segurança alimentar? De que forma?

Com certeza! A agricultura familiar tem sido muito estimulada pelo importante papel na economia do país, desestimula o êxodo rural, revaloriza a vida social do campo e do trabalho rural. Ela melhora a renda e consequentemente a alimentação e o acesso a bens e serviços. Somado a isso a agricultura familiar é menos mecanizada e mais humanizada permitindo o uso de recursos naturais no controle das pragas e da nutrição das terras para plantio, resultando em colheitas de alimentos mais saudáveis e livres de agrotóxicos.

 

3. Quais políticas públicas podem cooperar para o crescimento do índice de segurança alimentar no país no que diz respeito ao uso de pesticidas?

O governo brasileiro nos últimos anos tem feito um alto investimento na agroecologia, por meio do Conselho Nacional de Segurança alimentar e Nutricional (CONSEA), que contribuiu para estabelecer rede em todos estados e municípios brasileiros atuando em prol da intersetorialidade, inclusão social e erradicação da pobreza e da fome, controle de determinantes sociais e ambientais entre outras questões que influenciam a Segurança alimentar e nutricional, apoiando dentre outras iniciativas, a questão da agroecologia. Os diversos setores tem atuado conjuntamente, um exemplo importante seria o PRONAF (Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar). Outro setor que tem participado intensamente é ANVISA que tem feito uma maior divulgação de informações sobre os prejuízos do agrotóxico na alimentação por meio do PARA (Programa de Analise de Resíduos de agrotóxicos em alimentos) que avalia continuamente os níveis de resíduos de agrotóxicos nos alimentos de origem vegetal que chegam à mesa do consumidor. Por fim um exemplo também de destaque é o Programa de Alimentação Escolar, que prioriza a compra de alimentos para a merenda escolar da agricultura familiar, criando uma demanda para o produtor local e incentivando o consumo de alimentos saudáveis pelas crianças e jovens.

 

4. De que modo os agrotóxicos interferem na qualidade da segurança dos alimentos produzidos em lavouras que deles se utilizam?

Eles contaminam o solo, a água trazendo prejuízos irreversíveis para o meio ambiente e consequentemente para a produção de alimentos contaminados e para a saúde humana.

 

Denise Barros, concedida à Jaqueline Pimentel

Citação Bibliográfica

Barros D. Série sobre agrotóxicos (4): Nutrição e agrotóxicos. O que levamos para nossa mesa? [entrevista na internet]. Rio de Janeiro: Portal DSS Brasil; 2014 out 17. Entrevista concedida a Jaqueline Pimentel. Disponível em: http://dssbr.org/site/entrevistas/nutricao-e-agrotoxicos/

Nutricionista, Doutora em Saúde Pública, pesquisadora da ENSP/Fiocruz.

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