Mapa de Porto Alegre e a Tuberculose: Distribuição Espacial e Determinantes Sociais

Por Jaqueline Pimentel

02/08/11 | 00:08

Lisiane recebe premiação ao lado do presidente do CONASEMS, Antônio Nardi

Um estudo desenvolvido pela Equipe de Vigilância das Doenças Transmissíveis (EVDT) da Coordenadoria Geral de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre, sobre a distribuição de casos de tuberculose pulmonar bacilífera de residentes no município entre os anos de 2000 e 2005, é uma das experiências vencedoras do Prêmio Pró Equidade em Saúde. A coordenação do estudo é de Lisiane Morélia Weide Acosta e tem co- autoria de Márcia Calixto e Sérgio Luiz Bassanesi.

Segundo dados do estudo, foi observada alta incidência da tuberculose (TB) em de Porto Alegre, com uma média de 100 casos/100000 habitantes de todas as formas clínicas da TB nos últimos anos e 55 casos/100.000 da forma pulmonar bacilífera. O consenso na comunidade científica sobre a importância das condições sociais de vida na incidência da tuberculose e a constatação do contraste entre a alta incidência da doença e o elevado Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) na cidade, de 0,865, fez os pesquisadores analisarem a distribuição espacial da taxa de incidência da TB pulmonar bacilífera por bairros em Porto Alegre, ajustada para idade e sexo, e a associação com indicadores socioeconômicos de suas populações.

Foram excluídos do estudo os casos de pessoas em situação de rua, institucionalizados e aqueles que não continham informação de endereço ou pertenciam a áreas não cadastradas. Com estas exclusões, o total de casos no período foi de 4.135, sendo 66% em homens. A idade média foi de 38 anos e as idades mínima e máxima foram 10 e 94 anos, respectivamente. Um percentual de 72% dos doentes obteve a cura e 10,5% evoluíram a óbito.

As taxas de incidência da TB bacilífera variaram de 11,69 casos/100.00 habitantes para os bairros com melhor situação socioeconômica a 92,95/100.000 para os em pior situação. Após diversas análises estatísticas os autores concluem que cerca de 77% da variabilidade da taxa de incidência da TB bacilífera pode ser explicada pelos indicadores de vulnerabilidade social. O risco relativo dos bairros com os piores indicadores socioeconômicos chega a oito vezes o dos bairros com os melhores indicadores. Desta forma, a taxa de incidência da tuberculose pulmonar bacilífera em Porto Alegre, se iguala a dos países africanos nos bairros mais vulneráveis e a de países europeus nos bairros em melhores condições socioeconômicas.

Os autores concluem que a incidência da tuberculose pulmonar bacilífera pode ser interpretada e utilizada como um indicador de vulnerabilidade social em Porto Alegre e que a identificação de áreas de risco deve servir como base para o planejamento de um Programa de Controle da Tuberculose voltado a combater iniqüidades causadas por determinantes sociais.

Para saber mais, baixe o PowerPoint que foi apresentado no XXVII Congresso de Secretarias Municipais de Saúde

Agradecimento:  Agradecemos a colaboração de Lisiane Morélia Weide Acosta.

Referência Bibliográfica

Acosta LMW. O mapa de Porto Alegre e a tuberculose: distribuição espacial e determinantes sociais [dissertação de mestrado na internet]. Porto Alegre: Faculdade de Medicina, Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da UFRGS; 2008 [acesso em 01 ago 2011]. Disponível em: http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/13416/000643505.pdf?sequence=1

Citação Bibliográfica

Pimentel J. Mapa de Porto Alegre e a Tuberculose: Distribuição Espacial e Determinantes Sociais [Internet]. Rio de Janeiro: Portal DSS Brasil; 2011 Ago 02 [acesso em]. Disponível em: http://cmdss2011.org/site/experiencias/mapa-de-porto-alegre-e-a-tuberculose-distribuicao-espacial-e-determinantes-sociais/

Jaqueline Pimentel

Jaqueline Pimentel é jornalista e especialista em Gestão Empresarial.

2 Comentários em “ Mapa de Porto Alegre e a Tuberculose: Distribuição Espacial e Determinantes Sociais ”

  1. Miriam Fernandes
    22/09/11 - 18:09

    Ótima esta pesquisa, mas não entendo porque a população de rua não entra, se é aí que está o foco maior.

  2. Tiago Sousa Paiva
    23/07/13 - 15:07

    Muito relevante a pesquisa, tendo em vista o alto índice de TB em Porto Alegre. Para investigações futuras acho pertinente contemplar a população de rua e as pessoas institucionalizadas, por apresentarem-se em situações de vulnerabilidade.

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