Programa Um Milhão de Cisternas leva água e melhora qualidade de vida da população do semiárido brasileiro

0
Rate this post

Melhorar a vida das famílias que vivem na Região Semiárida do Brasil, garantindo o acesso à água de qualidade. Esse é o grande objetivo do Programa um Milhão de Cisternas (P1MC), iniciativa promovida pela Articulação do Semiárido (ASA) e que conta com a participação e colaboração dos moradores de cada um dos municípios envolvidos no programa. A ideia é unir forças para traçar um futuro com mais dignidade e qualidade de vida para as famílias agricultoras que mais sofrem com as estiagens no Brasil, promovendo e assegurando o acesso à água potável, direito humano fundamental para a Organização das Nações Unidas (ONU).

Proposto em 2003 pela ASA – organização que reúne 750 ONGs –, o P1MC faz parte do Programa de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o Semiárido, e busca universalizar o acesso à água potável, beneficiando cinco milhões de pessoas em todo o semiárido brasileiro. Sob o intuito de melhorar as condições de vida e, sobretudo, a saúde da população que vive nesta área, o programa tem mudado a vida de muitas famílias e em sua primeira década de atuação, já levou água para beber e cozinhar para mais de 1,5 milhões de pessoas, com a construção de 430 mil cisternas.

As cisternas de placas, com capacidade para 16 mil litros de água, são construídas a partir de uma interação entre o programa e os próprios moradores dos municípios beneficiados. Além da capacitação para atuar como pedreiros na construção dos reservatórios, homens e mulheres participam de todo o processo, ajudando a viabilizar as ações. Desta forma, o P1MC promove uma mobilização social e o envolvimento da população com as demandas que envolvem a melhoria das condições de vida em seus municípios. “A cisterna no nosso entendimento é um catalisador de outros processos e temáticas importantes para a vida das famílias como educação de qualidade, saúde, direito a energia elétrica dentre outros”, explica o coordenador do programa, Jean Carlos.

O conforto e a comodidade na diminuição das longas jornadas na busca pela água potável são elementos que oferecem novas perspectivas na qualidade de vida das famílias, mas, além disso, foi preciso compreender e atestar o potencial do P1MC no que diz respeito à diminuição de doenças e nas mudanças efetivas no panorama da saúde coletiva. Para esclarecer esse entendimento, a Fiocruz Pernambuco realizou, nos anos de 2007 e 2008, uma pesquisa para identificar os impactos gerados pela atividade do programa na saúde das pessoas. “Elegemos a diarréia como o evento mais importante para dizer que aquela água que chegava naquela casa era capaz de melhorar a saúde daquela família”, explica a pesquisadora da Fiocruz, Ana Brito, que justifica, ainda, que as doenças diarréicas continuam sendo as ocorrências mais importantes associadas à redução da mortalidade infantil.

A pesquisa recortou os 21 municípios da Microrregião do Agreste Central de Pernambuco – com uma população de mais de 824 mil pessoas – e comparou a incidência das doenças diarréicas nas casas que já tinham cisternas há mais de um ano, em relação às moradias que, na mesma Zona Rural, não tinham o acesso à água e que eram elegíveis para o programa. “Os estudos mostraram que a diarréia reduzia drasticamente nas casas com cisternas e, com isso, melhorava as condições de saúde naquele domicílio”, avalia Ana Brito. Os resultados revelaram que, enquanto a ocorrência da doença chegava aos 7,7% em residências com cisternas, este índice alcançava os 24,5% naquelas que não possuíam o recurso. A pesquisa indicou, ainda, que a chance da ocorrência da doença é 79% maior nas casas que não possuem os reservatórios.

Os resultados obtidos no estudo atestam a importância da existência desta iniciativa e a real mudança que sua atuação promove na vida e na saúde coletiva. Atualmente, o Programa Um Milhão de Cisternas conta com 92 equipes que trabalham em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome e Fundação Banco do Brasil. Ao todo, são aproximadamente 600 profissionais trabalhando diretamente nas ações da iniciativa, além da participação de 3.000 pedreiros e pedreiras, moradores dos municípios envolvidos com as construções.

O ano de 2012 foi de esforços e superação para o P1MC. O Brasil está passando pela pior seca dos últimos 40 anos e essa é uma das dificuldades enfrentadas pelo programa “Tem faltado inclusive água para a construção, o que temos tentado contornar negociando com os financiadores recursos para essas atividades”, explica Jean Carlos, que também menciona a dificuldade de aproximação com os moradores da região. “São famílias cada vez mais dispersas, pelo semiárido, então, coadunar os processos e tempos de mobilização e capacitação destas é difícil. A entrega dos materiais de construção muitas vezes tem que ser feita em lombo de animais pelas equipes técnicas, pois as estradas de acesso são extremamente precárias”, comenta.

Entretanto, em 2013 o programa se aproxima de seu principal objetivo: universalizar o acesso à água a todas as famílias pobres do semiárido brasileiro, compromisso assumido em parceria com o Governo Federal, a partir do Programa Água para Todos, dentro do Plano Brasil Sem Miséria. A meta é conseguir atingir 172 municípios do semiárido brasileiro e, posteriormente, expandir as ações para outras localidades. “Temos como compromisso de fazer com quem as ações do programa cheguem a 93.400 famílias até abril de 2013”, estima Jean Carlos.

Assista ao vídeo do programa Sala de Convidados do Canal Saúde da FIOCRUZ.

O Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) é uma iniciativa da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), sua meta é construir um milhão de cisternas e descentralizar o acesso à água potável para um milhão de famílias. Para discutir o tema e as políticas desenhadas foram convidados o Coordenador Executivo da ASA Brasil, Naidison Baptista, o Agricultor Familiar de Riachão de Jacuípe, na Bahia, Abelmanto Carneiro de Oliveira e o Assessor Técnico da VPAAPS/Fiocruz, Tatsuo Shubo.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui